Uma semana de estrada

Ibotirama, 30 de janeiro de 2019, 14:00 horas.

Estou aguardando o Astro Rei reduzir sua fúria para finalizar os 45 km que restam até a cidade de Ibotirama.

Inacreditável pensar que há uma semana saí de Brasília apenas com minha bicicleta.

O tempo e a distancia são conceitos relativos: quando estamos sofrendo em uma subida, um segundo parece uma eternidade, 300 metros parecem um latifúndio.

De carro, percorremos 800 km em aproximadamente 8 horas; um avião pode varrer facilmente essa distância em menos de uma hora. Eu demorei 7 dias, de bicicleta.

Em 7 dias me encantei com paisagens incríveis: cruzei o Rio São Francisco pela primeira vez na viagem, percorri subidas duras e retas intermináveis.

Além disso, passei por 2 fronteiras de Estado e presenciei cada momento da transição do Cerrado para a Caatinga. Vi plantações de milho, soja e banana. Encontrei 3 araras “canindé”, vários tucanos e cobras.

Na cidade de Correntina tive a presença de minha mãe, meu padrasto, meu primo e minha tia. Foram momentos inesquecíveis de união e fraternidade.

Já em Santa Maria da Vitória, me hospedei na casa de um casal incrivel, divertido e afetuoso, sr. Renato e dona Ana.

Em Bom Jesus da Lapa me hospedei pela primeira vez no couchsurfing. Fui recebido pelo Alex, um professor de inglês inteligente e divertido, mas preocupado com a situação política do país.

Tive momentos de euforia e frustação. Euforia em cada trajeto concluído e frustração ao constatar a triste condição do Rio São Francisco, outrora conhecido como o Rio Da Integração Nacional.

Hoje o Velho Chico passa por um processo vertiginoso de assoreamento, seu leito está tomado por areia, que em muitos pontos forma estruturas denominadas pelos pescadores de “coroas”, que impedem que haja uma navegação substancial nos trechos.

Ademais, pelas marcas deixadas pela água nos pilares da ponte de Bom Jesus, podemos constatar a imensa redução na vazão de água do Rio.

Mas o Rio mostrou-se lindo e imponente, um gigante que emociona pela sua elegância. Cruza-lo, me fez recordar as inúmeras vezes que passei pela ponte da represa de Três Marias, durante minha infância.

Fez minha imaginação ir longe, sonhando em navegar naquele Rio, sentindo o vento no rosto.

Em Bom Jesus não foi possível descer o Rio navegando. Tentarei novamente em Ibotirama.

Obrigado a todos que acompanham e estão na torcida.

Fotos:

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