Belém (PA) à São Luís (MA)

De todos os meus destinos nessa viagem, O Pará era o que mais aguçava minha imaginação e curiosidade.

Naquele Estado teria o primeiro contato com a Floresta Amazônica, cruzaria rios imensos e também enfrentaria chuva e umidade.

Foi incrível pedalar pelo Pará. Algumas vezes, quando começava a chover, chorava de emoção. Estava pedalando na Floreta Amazônica, envolto em uma natureza exuberante e imponente.

A chuva criava em mim a sensação de vida, de renovação. É exatamente isso que essa água sagrada leva à floresta, permitindo a fluidez da vida.

Belém foi um teste para os sentidos: cores, sabores e perfumes. No mangal das Garças vi Flamingos, Guarás e Araras além de enormes Vitórias Régias.

Na Estação das Docas comi Tacacá e tomei sorvete de Cupuaçu. No mercado Ver o Peso senti o cheiro de pupunha, mangustão e castanhas.

A capital paraense é uma cidade linda. Arborizada, cultural e histórica. Possui uma economia dinâmica e um trânsito agitado.

Muito se diz sobre a questão de segurança na cidade. Particularmente, não tive problemas. Andei a pé e de bicicleta, de dia e de noite.

No entanto, recebi inúmeros alertas sobre tomar cuidado nas ruas
Essa é uma questão delicada para quem está viajando. Você nunca relaxa, fica alerta.

Além disso, deixa de registrar diversos momentos para não expor coisas de valor como celular e câmera. Se sente intimidado.

Um dia estava tomando café e ouvi na televisão (em um desses muitos programas policiais – que estava passando às 7 da manhã, para meu espanto) uma notícia sobre um maníaco que atacava mulheres com um facão.

As pessoas assistiam bestificadas e assustadas. Após algum tempo ouvi o apresentador falar “Piracicaba”.

Fiquei me questionando o motivo de uma notícia de Piracibaca passar em Belém, criando mais sensação de insegurança.

Não que o Brasil seja seguro, mas me questiono até onde a sensação de insegurança é real e até onde é fomentada por esses noticiários.

Após Belém, minha intenção era ir de barco até Santarém (3 dias subindo o rio) E depois pedalar mais 40 km até Alter do Chão para depois retomar à Belém.

Essa região é caracterizada pelo encontro de diversos rios de grande volume com o oceano, algo que sempre é muito bonito.

Ao conversar com as pessoas, todas me desaconselharam a ir de bicicleta no barco, pois eu seria roubado quando chegasse a Santarém e que corria risco de ter a bagagem furtada mesmo no barco, enquanto dormisse.

A própria atendente da empresa que faz o transporte disse que era arriscado levar uma bicicleta nessa viagem.

Insisti em ir e quando fui comprar a passagem soube que teria que pagar mais 100 reais para levar a bicicleta e que a mesma teria que ir junto a um Local onde ficavam algumas cargas e não próxima a mim
Após mais essa informação, me senti péssimo no Pará. Vulnerável e visado. Optei por desistir de ir em Alter do Chão e seguir viagem para o litoral Sul do Pará: Mosqueiro, Algodoal, Bragança, Ajuruteua etc.

Indo para Algodoal encontrei um grupo de ciclistas do Peaks Belém. Diferentemente das pessoas que talvez nem passem por ali, eles me deram boas referências sobre o caminho (que sempre usam para treinar.

Mesmo assim, não me senti seguro hora nenhuma. Chegando em Algodoal tive a clara sensação de que duas pessoas falavam sobre mim e estavam indicando o caminho que eu seguiria pelo telefone.

Dei meia volta, parei no ponto de táxi e peguei uma condução para voltar 90 km até a cidade de Castanhal (na pista conhecida como Belém – Brasília).

Em Castanhal decidi que não visitaria nenhuma Praia no Para e seguiria diretamente para São Luís.

Pedalei com toda força até a divisa do Para com o Maranhão, na cidade de Boa Vista do Gurupi, onde tudo mudou: se no Pará as pessoas não respondiam ao “bom dia” ou acenos na estrada, no Maranhão as pessoas sorriam para mim, buzinavam e um rapaz até andou ao meu lado por alguns quilômetros. Ele em sua moto e eu em minha bicicleta.

Seu nome era Luquinhas e trabalhava entregando leite e queijo que sua família produzia. Disse que eu estava em casa no Maranhão, que eu tinha que tomar cuidado, mas que tinha que confiar em Deus. Foi incrível conversar com ele. Energia boa danada

Depois de dois dias e 350 km pedalados, peguei o ferry boat em Alcântara com destino a São Luís, assim como na música do tribo de Jah: “Atravessando de Alcântara até a ilha que encanta, a ilha do amor, a ilha do calor. São Luis, do Reggae raiz.. “.

Sonhei muito com aquele momento e foi muito melhor do que podia imaginar.

Seguem as fotos

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