2 meses de estrada

Desde que comecei a sonhar em viajar de bicicleta imaginava que essa experiência mudaria muita coisa em minha vida.

Imaginava que uma viagem assim era uma oportunidade de me conhecer melhor, conhecer as pessoas de modo mais profundo, conhecer meu país.

Quando essa viagem começou a se concretizar entendi melhor o conceito de cumplicidade, de parceria e de confiança.

Já com tudo certo para viajar experimentei a euforia e apreensão por tantas coisas que poderiam acontecer.

Hoje entendo que essa é uma experiência incrível de autoconhecimento e, como diria meu amigo Marcão (Marcos Guedes), é uma experiência antropológica. Como bônus, perpasso paisagens incríveis.

Hoje conheço meu corpo de maneira surreal. Leio seus sinais rapidamente: sei a hora de me alimentar, entendo quais nutrientes me garantem mais energia e prevejo a reação do meu organismo a determinadas situações, como stress hídrico e excesso de calor com auto grau de acerto.

Também melhorei muito minha percepção sobre as pessoas. Acho que tenho mais empatia com elas, respeito suas individualidades e exercito diariamente a tolerância.

Tolerância é a palavra chave para qualquer tipo de relacionamento, seja para comprar água, seja para manter a relação de mãe e filho.

É preciso ter empatia e tolerância com as pessoas, entender suas necessidades, sua idiossincrasias.

Há pessoas que variam muito o humor de acordo com a hora do dia. Já pessoas sempre carrancudas. Isso pode dizer menos do que pensamos sobre as mesmas.

Talvez seja uma fotografia de um instante e não o filme de toda uma vida. Pode ser que seja apenas um curta metragem também.

O contato com pessoas tão diferentes tem me ensinado muito sobre elas. Peço uma informação e rapidamente consigo saber o grau de precisão da resposta pela expressão corporal da pessoa ou até pelo tom de voz.

Também aprendi que muitas vezes eu não posso esperar uma informação tão precisa das pessoas.

Muitas delas são extremamente simples e talvez não tiveram a oportunidade de conhecer locais, pontos de interesse turistico ou mesmo uma pizzaria em seu município.

Pode parecer estranho aos nossos olhos mais capitalistas mas, muitas pessoas simples podem nunca ter saído em um domingo à noite para comer uma pizza ou tomar um sorvete na praça da cidade.

Por isso, muitas vezes não saibam me informar onde há uma lanchonete, uma pizzaria. Demorei a entender isso.

Essa questão de pedir informação na estrada me intriga, em razão da quantidade de informações erradas que recebo.

Depois de pensar, cheguei a duas respostas principais para as informações erradas que as pessoas emitem: 1. Ela não quer ser mal educada com você e não te prestar uma informação; 2. Elas não querem passar por ignorantes, desinformadas.

Acho que isso é resultado de uma sociedade muito exigente com seus pares mas, especialmente, uma sociedade que está a todo tempo avaliando a qualidade dos indivíduos.

Para finalizar esse texto, quero falar um pouco sobre as paisagens incríveis que visitei. O Brasil é um país lindo.

Temos um contraste imenso de biomas em um curto espaço. Temos uma floresta amazônica grandiosa e um Cerrado sofrido e lindo. Sem falar na Caatinga e sua dureza.

Talvez não sejamos um país tão bonito quanto nos é vendido, pois nos é mostrado na televisão um país que nem sempre é real.

Acredito que a grande beleza do país esteja nos contrastes, na grandeza, nas peculiaridades e não em questões cênicas, fotográficas. Nossa beleza deve ser apreciada com os olhos mas, principalmente, deve ser sentida.

So podemos sentir indo, vivendo, presenciando. Agradeço a Deus por poder ter essa oportunidade.

Obrigado por acompanharem.

9 comentários em “2 meses de estrada”

  1. Foi um prazer acompanhar a tua história e participar ainda que minimamente, dada a dimensão da experiência, desse percurso de desafio e autoconhecimento. O nosso humilde hostel estará de portas abertas quando quiser revive-la..um grande abraço.

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  2. Comecei de acompanhar a pouco tempo e é lindo ver essa sua sensibilidade de sentir o universo. Deus te abençoe.

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  3. Fera!!! Estou com saudades, mas ao mesmo tempo feliz em saber que as coisas estão dando certo na sua jornada.
    Parabéns pelos textos, fotografias e vídeos.

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  4. Thiago, nem consigo imaginar o que tem sentido nesses meses de viagem, mas é quase que possível sentir o quão maravilhosa tem sido e está sendo essa experiência para você. Tenho certeza que ela é muito mais do que poderia imaginar. E que bom que está sendo assim.
    O que um dia era somente um plano tem se tornado uma jornada linda e olha que ainda tem muito chão pela frente.Todas essas experiências com as pessoas e com os lugares pelos quais você tem passado são enriquecedoras e esclarecedoras. Fico feliz em saber que você tem se conhecido melhor e que está mudando sua percepção sobre muitas coisas. Com certo grau de previsibilidade: você tá demais. Arrasou nas fotos. Haha. Que Deus o abençoe.

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  5. Muitas coisas maravilhosas existem e a gente precisa desligar a tv para ir vivê-las! Que você continue escutando e confiando na sua intuição e permaneça com essa luz pelo caminho. Corre, Forrest!

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  6. Estou super grato ao universo por ter proporcionado este encontro com você num posto de beira de estrada próximo a fronteira Sergipe e Bahia. Aumentou em mim ainda mais o gosto pela estrada, a viagem “solo” cheia de pessoas e encontros. E me deixou muito mais motivado de mudar o veículo de duas rodas pelas andanças neste país. Curtindo muito suas publicações. Continuemos!!

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    1. Poxa, Filipe. Que legal. Eu também achei massa encontrar você. Cada um tem sua viagem e as experiências são únicas e arrebatadoras. Viajar sozinho é viajar no seu íntimo, lidar diariamente com suas forças e dificuldades. Eu também achei incrível você ter saído de moto assim. Bacana compartilhar aquele momento. Não tiramos fotos, mas ficou gravado pra sempre. Grande abraço

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