Porque viajo de bicicleta

Como a reforma da previdência não vai deixar ninguém com menos de 40 anos aposentar mesmo, decidi largar tudo e sair dessa sociedade capitalista….

Brincadeira, brincadeira…

Há duas razões principais para eu ter optado pausar minha vida e viajar de bicicleta: vontade de conhecer o país que vivo e; buscar entender quem eu realmente sou.

Escolhi fazer isso da forma mais bacana, dinâmica e apaixonante que eu conheço: de bicicleta.

Desde criança gosto de bicicleta, mas minha paixão pelo ciclismo começou mesmo em 2010, um período atribulado e nebuloso da minha vida.

Tudo começou em uma tarde de sábado: peguei a Caloi 10 vermelha do meu tio e fui dar uma volta para tentar acalmar a cabeça.

Fui da minha casa (Sobradinho – DF) até o Morro da Oração (Planaltina – DF), aproximadamente 30 km – ida e volta.

Depois, cometi a besteira de contar para algumas pessoas da família e lembro que, preocupada com a ideia de eu andar na estrada, minha tia Domênica trancou a bicicleta. Obs: Fico só imaginando o que ela não sente hoje.

Claro que dei um jeito de continuar pedalando. Já em 2013 essa paixão ficou séria e virou casamento: passei a viver para o pedal.

Meu companheiro de aventuras era meu primo Daniel e sua MTB maluca. Depois conheci os pedais longos conhecidos como Audax (desafios de 200, 300 km em um dia), na sequência entrei para o triathlon.

A bicicleta exerce um poder sobre mim. Me sinto imbatível em cima do selim.

Além disso, o vento no rosto, as paisagens passando em câmera lenta, a dinâmica do giro dos pedais e a força exercida pelo corpo para manter o movimento criam em mim uma sensação de integração, de liberdade.

Algumas vezes tenho a sensação de que posso ir pra qualquer lugar em cima de uma bicicleta.

Pedalar é como voar com os pés a 20 cm do chão, usando sua própria energia. É fantástico, como diria meu “father in law”, Aníbal Rocha.

Conhecer o Brasil talvez tenha sido um desejo fomentado quando ainda era criança em programas do Globo Repórter, onde eram exibidas imagens cinematográficas de florestas, cachoeiras, praias e desertos país a fora.

Esse desejo foi reforçado na faculdade ao estudar a diversidade de monumentos naturais do país.

Mas, claro, ter tido a oportunidade de conhecer alguns locais como o Oeste baiano, a Chapada dos Veadeiros, a charmosa Pirenópolis, as praias do Norte baiano e os Lençóis maranhenheses criaram um desejo muito forte de mergulhar a fundo no pais, conhecer suas entranhas, suas peculiaridades.

Mas a principal razão para essa viagem foi entender melhor quem eu sou e qual meu lugar nesse mundo de Deus.

Assim, decidi partir em busca do desconhecido, do novo. Sair da zona de conforto, buscar ser mais flexível, tolerante.

Há muitas maneiras de se fazer isso: terminar um relacionamento; mudar de emprego, de cidade, de país, começar um novo curso de graduação etc. Eu escolhi viajar de bicicleta.

Me permitir viver um tempo em que sairia de manhã e não saberia onde iria almoçar, dormir, me alimentar.

Também depender da saúde do meu corpo para me locomover, enfrentar meus medos e como diria o apóstolo Paulo: combater o bom combate, acabar a carreira, guardar a fé.

Tudo isso exige fé, jogo de cintura e também sair de uma postura auto suficiente e soberba.

Especialmente exige se permitir o novo, aceitar a vida e arcar com o ônus e o bônus de nossas decisões diárias.

Hoje entendo como nunca a música do Luiz Gonzaga:

Minha vida é andar por este país
Pra ver se um dia descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei

Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E a alegria no coração“.

Não acho que quando a viagem acabar terei todas respostas que busco, muito menos conhecerei o país suficientemente.

Mas estou aqui aproveitando cada segundo, aprendendo como nunca e pedalando sempre.

Hoje entendo que temos que nos manter sempre em movimento e parar nunca pode ser uma opção.

Grande abraço a todos e obrigado por acompanhar

Um comentário em “Porque viajo de bicicleta”

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