Onde nossa imaginação pode nos levar

Certa vez li no blog do Alexandre Manzan que não deveríamos correr com música pois, dentre outras razões, nunca sabemos onde nossa imaginação pode nos levar naquele período.

O post completo é excepcional e pode ser lido nesse link http://alexandremanzan.blogspot.com/2016/07/porque-devemos-correr-sem-ouvir-musica.html?m=1

Não vou entrar na discussão sobre treinar ou não com música. Quero apenas falar sobre onde nossa imaginação pode nos levar.

Eu costumo passar, em média, seis horas por dia pedalando. Entretanto, já cheguei a passar 15 horas na estrada.

É difícil estabelecer um padrão para o que acontece nesse período: algumas vezes o pensamento divaga muito; outras me concentro na estrada, no meu corpo e na bike. Simplesmente não penso em nada.

Em geral, no mesmo dia alterno entre momentos de muito pensamento e muita concentração.

Também é quase impossível estabelecer um padrão para os pensamentos que passam pela mente.

Ontem fiz um pedal extenuante de 13 horas. Nesses dias é muito comum a gente abaixar a cabeça e se perguntar o que está fazendo ali.

Quando isso acontece eu sempre lembro do meu amigo Gustavo, que fez faculdade comigo.

Em um jogo de futebol nós sofremos um gol e eu fui para o meio de campo com a cabeça baixa, sabendo que perderiamos o jogo.

Falto ouvir ele gritando: bora, Thiagão, levanta essa cabeça, levanta essa cabeça.

Algumas vezes esse pensamento passa. Outras lembro da faculdade, dos jogos de futebol, até do bingo de Planaltina.

Sem muita razão, em alguns segundos já estou pensando no que vou comer quando chegar na cidade de destino.

Passados mais alguns minutos, começo a avaliar a quantidade disponível de água e planejo onde vou precisar parar.

Minutos ou segundos depois, me atento a algum aspecto da paisagem. Ontem foi o céu.

De Belém até o Rio Grandr do Norte o céu estava quase sempre nublado, com nuvens do tipo nimbus cumulus (forma de cogumelo). Poucas vezes estava aquele dia azulado e com nuvens cirrus (forma de algodão).

Ontem o céu estava lindo! com poucas nuvens (cirrus). Em um momento o céu fechou e choveu. Mas admirei muito o céu.

Interessante que na estrada também reflito sobre situações do passado, erros e acertos meus. Acho que é natural divagar assim.

Algumas vezes essas divagações são objetivas, pois penso em mudar coisas. Outras são meramente pensamentos soltos.

É muito bacana também quando consigo me concentrar apenas na estrada, no meu corpo e na bicicleta.

Consigo avaliar como estou me sentindo, planejo como irei pedalar, controlo o instinto de atacar as subidas, faço força nos trechos planos, desço com prudência.

É fenomenal a sensação de integração entre homem, máquina e natureza. As paisagens passam como nuvens e a estrada é tão contínua e uniforme quanto o giro dos pedais.

Tem dias em que concentrar na estrada e no pedal é a melhor forma de chegar, de fazer o tempo passar rápido. Outros a melhor coisa a fazer é deixar o pensamento nos levar, indistintamente.

É sempre uma aventura, sempre uma surpresa.

2 comentários em “Onde nossa imaginação pode nos levar”

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