Intrépidos viajantes

Pipa (RN) me proporcionou um encontro fantástico com outros quatro viajantes que eu havia conhecido durante a viagem.

1. Encontrei Márcio assim que cheguei no hostel em Jeri. Empatia e sintonia desde a primeira palavra trocada.

Márcião é um viajante sagaz. Já viajou de bicicleta por todo o Brasil e América do Sul. Agora está em uma saga encantadora, percorrendo todo o país de Honda Biz. É a pessoa mais desenrolada que eu já vi. Em Pipa ele arrumou uma obra (que chamava de hotel) pra armar sua rede e dormir.

Não sei como ele fez isso, mas não demorou nem 10 minutos. Logo ele fez amizade com todo mundo e até foi convidado pro churrasco da obra no final da tarde de sexta.

Em Touros (RN) tive uma infecção intestinal muito forte. Ele correu comigo pro hospital, deu um jeito de me atenderem rápido e ficou o sábado inteiro do meu lado.

Não só por isso, mas ele resignificou a palavra amizade pra mim. Mais que isso, mudou toda minha viagem e minha vida. Aprendi coisa demais com ele e tive conversas sensacionais.

2. Conheci o Léo (Leonardo Bressane) por indicação de uma amizade que fiz em Petrolina (Lili) e estávamos em contato pela internet. Assim como eu, está viajando o País em sua Turmalina.

Ele realiza o projeto “Viva a Arte Ecotrip”, focado em conhecer práticas de agricultura, disseminar algumas sementes e, claro, viver de sua imensa habilidade manual com artesanato.

A primeira vez que fui ao camping onde ele estava hospedado não o encontrei. Quando voltei mais tarde, percebi que o local estava bem mais limpo. Alguém havia passado o rastelo na areia com um cuidado que me chamou atenção.

Quando chego mais perto o homem do rastelo é o Léo! Ele estava como voluntário ali. Fazia aquele trabalho, que o garantia um pouso para dormir, com muito amor e carinho.

Que encontro massa!! Energia boa daquele cruzeirense (claro). Fala mansa, andar suave. Tranquilidade em pessoa.

Depois de conhecê-lo, Márcio disse que não queria sair de perto dele. Percebi que eu também não. Foi difícil me despedir quando saí de Pipa. Mas ele tem a responsabilidade de chegar na Chapada pra pedalar comigo.

3. Não me recordo onde vi o Instagram de Fabiano e Iara. Eu os adicionei e conversamos muito pouco. Sabia quase nada sobre a viagem deles.

Estava certo que encontraria o Léo e o Márcio em Pipa. Mas não fazia ideia de onde estavam Fabiano e Iara.

Eis que estou comendo e vejo passar na rua dois ciclistas com uma quantidade grande de bagagem. Não tive dúvida que eram eles. Sai correndo da lanchonete e fui me apresentar.

O encontro com esses dois foi muito impactante para mim. Quando os vi, pareciam duas folhas de bananeira que o vento joga pra um lado e pra outro.

Já era noite, eles estavam andando despreocupados, carregando suas bicicletas e a Gatinha. Não sabiam onde iam dormir aquela noite.

Fiquei preocupado com eles. Queria convida-los para ir ao hostel comigo, mas aguardei um pouco e logo se ajeitaram: decidiram armar barraca no estacionamento da Praia do Amor e iriam entrar na fila para receber a comida doada pelo restaurante da Dona Branca.

Jamais imaginei fazer algo do tipo. Minha viagem é toda “certinha”: chego cedo na cidade, logo me hospedo em uma pousada ou hostel (graças a Deus posso custear isso) e guardo a bicicleta (evitando dar bandeira pelas ruas).

Mas, principalmente, eu chego e como. O gasto energético é muito alto na estrada. Chego desgastado, mas logo reponho carboidratos, proteínas e sais. Ainda como um doce pra completar a felicidade.

Depois de conhecê -los, eu sou a folha de bananeira. Aqueles dois são aroeira pura!! Quando decido mudar meu trajeto passo meia hora estudando e planejando o que vou fazer.

Eu só consigo ir onde meu planejamento permite. Onde posso controlar riscos, ter certeza que é possível chegar.

Fabiano e Iara podem ir para qualquer lugar do mundo que quiserem. Eles se ajeitam, se resolvem. Nunca vi tamanha gana em viver. Foi lindo vê-los.

No dia seguinte fomos todos ao Chapadão no final da tarde. Ficamos até depois do escurecer. Que momento incrível. Energia surreal. Povo tranquilo, da paz, livre.

Não consegui ir embora no outro dia. Queria ficar mais perto deles, conhecê-los melhor. Foi a decisão correta.

Saí de Pipa com o coração cheio de alegria, carregando o sentimento mais bacana do mundo por aqueles intrépidos viajantes.

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