Ilhéus – Arraial D’Ajuda

Saí motivado de Ilhéus com destino a Arraial, pois encontraria nessa cidade um amigo de infância, o extremamente talentoso Rafael Salim.

Em razão da maré baixa, não pude fazer a travessia entre Canavieiras e Belmonte naquele dia.

Canavieiras é uma cidade simples, que já teve até aeroporto, mas perdeu importância no cenário regional, especialmente pela dificuldade logística imposta pela natureza (travessia do Rio Salsa).

Fiquei em um lugar muito ruim na cidade. Uma mistura de pousada, pensão e prostíbulo de zona portuária.

Essa hospedagem me marcou muito. Lugares como aquele congregam coisas muito ruins do ser humano. São ambientes carregados de selvageria, de exploração, de humilhação.

No dia seguinte saí cedo e logo fiz, em um minúsculo barco, o lindo caminho pelo Rio, que me recarregou as energias.

Era sexta feira e o percurso foi incrível. A estrada era só minha! Passei por aldeias indígenas e andei bastante tendo o Mar ao meu lado esquerdo.

Mesmo com o maior vento contra da viagem fiz 19 km/h de média, pois rendo muito bem em trechos planos.

Passei por Porto Seguro e, definitivamente, encontrei o turismo de massa que deu sinais em Itacaré.

Talvez tenha passado por 10 grandes barracas de praia ( Axé Moi etc.) e em cada uma delas havia pelo menos 6 ônibus de turismo.

Havia muitas barraquinhas vendendo artesanato indígena e várias pessoas fantasiadas de índio.

Porto seguro é a “Disney” brasileira, a “Caldas Novas” baiana. Sinceramente eu gostei daquele turismo, pois permite que muitas pessoas viagem, especialmente os mais pobres e os idosos.

Eu mesmo já questionei esse tipo de turismo, acreditando que ele não fazia tanto sentido. Bom, tem que fazer sentido pra que usufrui dele.

Tenho muito respeito pelas pessoas que trabalham nesse ramo e dou muito valor quando vejo os idosos ali tomando sua cervejinha.

Vi pessoas com dificuldade séria de locomoção indo à praia, se esforçando para andar nas movimentadas ruas.

Já à noite tive a satisfação de encontrar o Rafa e a Nari (cantora) que o acompanhava. Gostei muito, muito mesmo daquele som. Som de alma, entrosamento de coração.

Sempre que lembro daquele dia ouço na minha mente a Nari cantando “aaaah, eu vim de Ilha de Maré, minha senhora…”

Depois do show sai pra Conversar com o Rafa e ainda tivemos mais outro encontro numa tarde na Praia.

Foi o encontro mais reflexivo que tive até aquele momento, a conversa com mais empatia. Trocamos ideia como dois vizinhos sentados no portão, apesar de ter uns 15 anos que não conversávamos.

Foi um presente de Deus encontrar meu amigo, apreciar sua arte, entender sua sensibilidade e saber da história que o levou até ali.

Sinceramente, acredito que, se quisesse, ele podia ter passado no melhor vestibular, no melhor concurso, mas o caminho dele era diferente.

Sei que não é fácil a vida de músico, de artista. Mas ele estava ali firme, construindo sua história. Foi muito bom estar ali.

Valeu, Rafa!

Um comentário em “Ilhéus – Arraial D’Ajuda”

  1. Consigo imaginar a cena de vcs conversando! Tenho certeza que esse encontro, esperado desde o início da viagem, ficará na memória de cada um por muitos anos, com muito carinho e calor no coração. Que inveja, rs! Vcs são dois caras que merecem coisas incríveis na vida toda!!
    Ah, nunca tinha pensado sobre o turismo de Porto Seguro dessa maneira. Obrigada pelo texto.

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