Extremo Sul da Bahia

Saí de Caraiva bem cedo e peguei uma estrada de chão pouco movimentada e essencialmente plana.

Despreocupado com relação à segurança (tanto de assalto quanto de atropelamentos), o pedal é muito mais prazeroso.

A ausência do barulho dos motores e, principalmente, da resistência do vento, nos permite ouvir o som dos pássaros e de muitos outros animais.

Fora o som magnífico do vento movimentando os galhos e folhas das árvores. Cena de filme!

Estava gravando um vídeo descrevendo o que escrevi acima e um galo soltou um estridente canto, que me fez gargalhar sozinho.

Avançando um pouco mais, passei por enormes áreas devastadas por plantação de eucalipto.

Minutos antes havia lido uma placa dizendo que aquela era uma área indígena, onde era proibido caça.

Na sequência, avistei o Monte Paschoal, que a história conta ter sido a primeira porção de terra avistada por Cabral. Curiosamente, é bem distante do Mar.

Deixei a estrada de terra e voltei para a BR 101, onde percorri mais 50 km até a cidade de Itamaraju. Nesse trecho percebi um grande mudança no relevo e na vegetação, típico de divisa de Estados, mesmo estando longe do Espírito Santo.

Explico: sempre que cruzo uma divisa de Estado noto inúmeras diferenças de vegetação e relevo, assim como nas características físicas e culturais das pessoas (especialmente o idioma).

Eu achava que essa divisão havia sido bem planejada, mas pesquisei na internet e descobri muitas coisas que não sabia.

Em síntese, a divisão dos Estados e Municípios brasileiros é uma zona! A constituição incumbiu os Estados e Municípios de delimitarem suas áreas, mas não houve regra posterior que definisse a forma como isso deveria ser feito.

Tudo isso faz com que ainda hoje existam conflitos e litígios judiciais acerca dos limites dos Estados Brasileiros.

Exemplos: Serra do Ibiapaba (CE/Piaui); Serra do Caparaó (MG e ES) e Morro do Caxambu (MG/ SP), explicado nesse texto http://palacehotel.com.br/historico/divisa-entre-minas-gerais-e-sao-paulo/

Eu acreditava que a divisa de Estados era sempre marcada por um rio, mas não necessariamente isso é verdade, como no caso dos Estados de Minas e São Paulo.

Com exceção dos limites do DF – onde foram delimitadas 2 fronteiras naturais (rios) e dois cortes paralelos (imaginários) -, a divisão dos Estados brasileiros é marcada por fronteiras naturais (que podem ser rios, lagos, cadeias montanhosas etc).

Voltando, essa região do extremo sul da Bahia possui um relevo mais acidentado, onde é possível avistar algumas rochas graníticas.

Nas encostas dos Morros há inúmeras plantações de café. A agricultura familiar tem produzido também banana e abacaxi, além de temperos, como pimenta do reino.

Até descobri que se produz bastante mel na região (conversando em uma banca de beira de estrada).

Foi um pedal cheio de contrastes e que me fez refletir sobre a magnitude do Estado da Bahia (Mais de 1000 km de litoral, para termos uma ideia) e sua importância econômica e cultural.

Além disso, as subidas daquele caminho marcaram a tônica do relevo que enfrentaria pela frente.

Obrigado a todos que acompanham