Vitória (ES) – Belo Horizonte

“Se for mais veloz que a luz, então escapo da tristeza…” foi meu lema nos dois dias que pedalei entre Vitória (ES) e Belo Horizonte (MG).

Sai de Vitoria com destino a Martins Soares em um sábado que começou com muita neblina.

Foram 210 km e 3.350 metros acumulados de subida, serpenteando uma linda estrada que no final fazia margem com o Parque Nacional do Pico da Neblina (região do Caparaó).

Sofri muito aquele dia: solidão, cansaço físico, cansaço mental, preguiça, sono.

Mesmo com a hora adiantada, decidi não parar em uma cidade antes de Martins Soares (40 km), pois uma pessoa havia sido muito rude comigo ali quando parei pra tomar um café e pedir informação.

O Garmin indicava que ainda faltavam 2h20 para o sol se pôr, e em condições normais, eu faria aquele percurso em menos de duas horas.

Mas as condições não eram boas, havia muita subida no caminho e eu estava bastante cansado aquele dia.

Me concentrei e fiz toda a força que pude. Na hora seguinte fiz apenas 17 km, indicando que eu não chegaria na cidade que queria antes do anoitecer, o que me deixou muito apreensivo.

Segui firme e, ao me aproximar da dívisa de Estados, Deus colocou uma descida de 10 km no meu caminho.

Me emocionei muito e não consegui segurar o choro. Chorei demais. Acho que as pessoas que passavam no sentido contrário deveriam se assustar comigo descendo aos prantos.

Foi um choro que reuniu muita coisa: desabafo, chateação, felicidade, presença de Deus, sensação de liberdade e poder também. Poxa, estava muito cansado e mesmo assim tinha pedalando mais 200 km.

Ademais, cheguei em Minas, que é um Estado onde tenho muitas ligações familiares e me lembra coisas boas.

Parei pra tirar foto na placa da divisa e gravei um vídeo em que não conseguia parar de chorar. Deixei gravado porque eu sempre esqueço dos momentos difíceis. Mas aquele foi especial.

Segui firme, pois ainda faltavam 10 km. Infelizmente, tive dois desagradáveis acontecimentos no percurso.

Primeiro um rapaz de moto ameaçou me derrubar da bicicleta com um chute. Acredito que ele não ia me acertar, mas fez para brincar com os amigos que estavam vindo atrás, talvez para me assustar. Poxa, foi muito violento, desagradável. Felizmente, não aconteceu nada.

Já na última subida antes de Martins Soares percebi um rapaz de moto parado no final da subida. Imaginei que fosse um ciclista, pois ele ameaçou parar várias vezes antes. Mas não sabia o que se tratava.

Parei a bicicleta antes mesmo de ele pedir, dei um grito: finalmente acabou a subida! E aí, meu amigo, tudo Bem? Melhor tentar criar uma empatia, né? Se ele quisesse me assaltar eu seria presa fácil mesmo. Conselho do Marcião.

Até agora eu não entendi o que esse rapaz queria. Falou que era ciclista, mas disse que sua bicicleta tinha sido roubada. Me mostrou a foto e perguntou se eu havia visto alguém na estrada com ela.

Depois começou com um papo bem estranho, e eu cortei logo. Me despedi e acelerei.

Cheguei com o dia ainda claro e logo me hospedei em uma pousada até boa, apesar de cara.

No dia seguinte pedalei mais 190 km (3.300 metros de subida) até a cidade de João Monlevade, onde decidi pegar um ônibus e chegar em Belo Horizonte ainda no domingo.

Isso porque a estrada estava muito movimentada e perigosa. Avaliei que seria pior na segunda feira.

Ademais, não queria pedalar no fia seguinte. Sabia que o corpo estava no limite.

Deus me carregou no colo mais uma vez.

Obrigado a todos que acompanham