Dias brancos

Saí de Belo Horizonte com direção à Capítólio, em Minas. Mas novamente fiquei indeciso quanto ao caminho que iria traçar.

Para chegar lá deveria dormir em Divinópolis, onde tenho alguns familiares. Quando falei com um deles, estranhei o diálogo e não fez sentido ir para aquela cidade.

Evidentemente, eu não falei com ele em busca de hospedagem, mas de acolhimento, de camaradagem.

Mesmo tendo encontrado muita gente boa em BH, ainda precisava de ares familiares. Como a recepção não foi boa na conversa, eu parei na estrada e fiquei pensando o que fazer…

Decidi ir para Campinas, pois nesse caminho encontraria os pais do Léo e do Márcio, amigos que fiz na estrada.

Fiz esse trecho pela rodovia Fernão Dias, uma importante via de ligação do sudeste brasileiro. Muitos caminhões, muitos mesmo.

Estava pedalando na região sul de Minas, conhecida pelo cultivo do café, dos bons leites e queijos. Terra do Rei Pelé.

O Sul de Minas é quase um Estado. Quando você pergunta pra uma pessoa de onde ela é, em geral ela responde: de Minas, de São Paulo, da Bahia. Mas os mineiros do Sul falam: sou do Sul de Minas. É quase uma identidade.

Essa região possui um clima mais ameno, segundo a geografia brasileira. Pra mim é frio mesmo!! Por isso, saí de Belo Horizonte com novas roupas, preparado para o “Pólo Norte”.

Pedalar no frio é uma tarefa para corajosos, pois trocar uma cama quente por um vento gelado (que parece cortar a pele) não é fácil.

Mas a tecnologia nos permite pedalar em segurança e com conforto, até mesmo com aerodinâmica (ciclista é tudo doido: quem vai pensar em ergonomia e aerodinâmica num frio desses?).

As roupas funcionaram muito bem e me surpreendi com minha performance naqueles primeiros dias frios. Pedalei muito bem.

Pensei que ficaria doente com aquela variação tão rápida no clima, mas tudo correu tranquilamente, graças a Deus.

Não que estivesse reclamando (afinal, eu escolhi estar ali) mas era inevitável cantar na estrada: cadê o meu Sol dourado? Cadê as coisas do meu país…”

Os dias nasciam brancos, com o céu coberto de neblina e não vi o pôr do Sol por 4 Dias, pois parecia sempre estar atrás de uma montanha. O nordeste me deixou mal acostumado

Lembrava sempre do Sol em Arraial e Caraíva. Não sei explicar direito, mas parecia que o Sol lá não fritava os miolos, mas nos acalentava.

Sei lá, parecia que ia abraçando e envolvendo a gente. Aquecia, mas não incomodava. Existem coisas que só sentindo mesmo.

Obrigado a todos que acompanham!