Belo Horizonte – São Paulo

Após decidir que ia para Campinas, tratei de acelerar o passo e percorri em 4 dias o trajeto de 510 km entre BH e Maririporã (SP)

Entretanto, em um desses dias, pedalei apenas 40 km, para não chegar com cara de morto na casa dos pais do Léo e assusta-los.

Com isso, fiz uma média de, aproximadamente, 160 km por dia. Mesmo com o cansaço acumulado, estava voando baixo. Pedalava o dia inteiro.

A gente corre o risco que tem que correr, que acredita valer a pena. Sabia que teria que vencer todos aqueles quilômetros e não fazia diferença se o faria em 4 ou 10 dias.

Acredito que era melhor fazer rápido e sair logo daquela movimentada estrada.

Léo e Márcio são dois presentes que a estrada me deu. Desde que nos conhecemos, raros são os dias que não falo com eles.

Por coincidência (ou não) tive a oportunidade de passar pela casa onde moram os pais de ambos.

Foi emocionante chegar na cidade de ambos (São Sebastião da Bela vista, do mineiro de fala mansa, Léo e Amparo, do descolado e dinâmico Marcião).

Fiquei pensando como seria o retorno de ambos e pensei, claro, como seria o meu: a felicidade de encontrar os familiares, a sensação de alívio por ter chegado bem e na proteção de Deus, a satisfação de ter vivido tanta coisa e voltar para casa.

Lembrava da música do Jason Marz

“Just know, wherever you go
You can always come home…”

Mas, principalmente, me lembrava de:

Eu sei que ela nunca compreendeu
Os meus motivos de sair de lá
Mas ela sabe que depois que cresce
O filho vira passarinho e quer voar…’

Foi com se estivesse chegando em casa e sei que as famílias sentiram que, em parte, seus filhos estavam voltando.

Pra minha surpresa, ouvi a mesma frase das duas mães: eles estão construindo a história deles, buscando seu espaço. Eles tinham que ir.

O pai do Léo me disse que sabia que mais cedo ou mais tarde ele iria fazer algo assim, que era da natureza dele e que ele também gostaria de ter feito algo semelhante. Ele tem muito orgulho dos filhos, sua independência e coragem.

Descobri que Léo e a irmã saíram muito cedo de casa e entendi a ligação dele com ela. Familia linda!

O Marcião também é o orgulho da mãe e do irmão. Infelizmente, não pude conhecer seu pai. Rapaz muito trabalhador, batalhador e independente. Já rodou tudo quanto foi canto. Descobri que já ajudou muita gente também. Marcião é surreal.

Apesar de planejar, inicialmente, ir para Campinas, mudei os planos e, fui para São Paulo. Após o túnel de Mairiporã, decidi que não valia a pena arriscar e entrar em São Paulo pedalando.

Peguei um ônibus e fui até o terminal Tietê e então peguei o metrô, onde encontrei mais um ciclista.

Obrigado a todos que acompanham