Ares de modernidade

Cidades grandes não me encantam, não me atraem. Basicamente, não vejo sentido no ambiente ultra urbano, com pouca natureza, trânsito e barulhos de toda ordem, especialmente de veículos.

Belo Horizonte é uma cidade muito querida pelas pessoas que a visitam: agitada vida noturna, boas opções de entretenimento, um centro movimentado.

Minha impressão sobre a cidade foi completamente diferente: achei a cidade um tanto prosaica, anacrônica. Parece que parou no tempo.

Não vi brilho nos olhos das pessoas e a cidade me pareceu lenta. Há quem diga que é o estilo mineiro. Pode ser. Mas não me apeteceu.

Já São Paulo…”É como um mundo todo”, como diria Caetano. Porém, diferentemente dele, quando cheguei por ali, eu tudo entendi.

Entendi que é uma cidade competitiva, ainda que acredite que nem sempre isso se transforme em eficiência. É muita gente buscando seu lugar ao Sol.

Não tem natureza: as pessoas cultivam a arte, presente na arquitetura, nos grafites e músicos de rua, nos museus.

A cidade é feita de pessoas para pessoas. Vi lindos artistas de rua, um show gratuito no MASP, que tocou forró.

Curiosamente, vi vários artistas (artesãos), estendendo seu pano e expondo trabalho em plena Avenida Paulista, por mais contraditório que possa aparecer vender artesanato de rua em uma cidade de grandes marcas “fashion”.

A todo momento me vinha na mente a frase: ares de modernidade. Vi uma cidade dinâmica, pessoas animadas, com brilho no olho. Ares de modernidade…

Ainda acho que ali as pessoas que andam nas ruas parecem “formigas tentando se esconder da chuva”, mas em São Paulo, pelo menos, nessa corrida toca AC/DC.

Claro que é um ambiente extremamente duro, “Da dura poesia concreta de tuas esquinas“. Mas não é um ambiente tão agressivo quanto eu acreditava. Brasília é muito mais agressiva.

O Plano Piloto está para Belo Horizonte, assim como Taguatinga está para São Paulo.

Por isso meu avô gostava tanto de Taguatinga e mudou definitivamente para São Paulo. Se eu fosse espírita, diria que cruzei várias vezes com ele andando pelas movimentadas ruas paulistas.

Entretanto, é bem difícil viver em São Paulo, especialmente pelo trânsito, que não tem hora.

Além disso, é uma cidade extremamente cara, onde as pessoas trabalham muito para manter o elevado consumo.

Li que há muitas pessoas endividadas, especialmente em razão do alto consumo, mesmo nas classes mais baixas.

Foi uma experiência muito boa vivenciar São Paulo, sentir arte na rua, aconchego de casa no meio da selva de pedra.

Saí da cidade com um sentimento muito lindo e levei na bagagem o melhor bolo de banana para comer na estrada.

“E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs…”

Obrigado a todos que acompanham