Pra onde tenha Sol

Os dias frios (com sua neblina logo cedo), a saudade do Mar e a ausência do Sol resultaram em pedais longos e arriscados.

Acredito que devemos ficar na estrada o tempo necessário para vencer a distância planejada. Nem um minuto a mais que isso.

Assim, sempre busco ser eficiente na estrada e evitar horários de mais movimento.

Por isso, gosto de sair para pedalar muito cedo (04 da manhã). Quando o Sol nasce, normalmente já pedalei de 30 a 40 km. Obs: o melhor momento do dia é ver o Sol nascendo no pedal.

Quando o movimento da estrada aumenta (depois de 8, 8:30) eu já estou terminando o pedal (em dias curtos – 100 km, que faço, mais ou menos, em 5 horas – contando as paradas).

Em dias longos, não há como evitar esse movimento, mas busco parar o mínimo possível e não perder tempo.

Estava com dificuldades de sair cedo para pedalar. Os dois principais motivos: clima e preguiça.

Como disse em outro post, é preciso ser meio doido para sair das cobertas e enfrentar um vento gelado. Mas o que me segurava mesmo na cama era a neblina. Não era razoável sair para pedalar no frio e com tudo branco.

Ademais, estava com muita preguiça de fazer meu café da manhã, pois isso envolvia desfazer e refazer as malas para pegar cafeteira, gás etc. Além disso, sentia falta de comer algo quente pela manhã, como tapioca, ovo, misto etc.

Acabava esperando pelo café da manhã de onde estava hospedado ou mesmo que uma padaria abrisse. Nem sempre essa era uma boa ideia, pois os cafés eram ruins, mesmo em lugares caros.

Assim, eu saia para pedalar tarde. Como queria logo chegar logo no litoral, acabava fazendo grandes distâncias e ficando quase o dia todo na estrada

Acredito que foi uma estratégia arriscada e que me estressou um pouco, mas não tinha muito o que fazer.

Eu amo pedalar na estrada. Gosto mesmo. Mas havia muito movimento e barulho dos carros, principalmente caminhões. Isso me tirava um pouco da gana de pedalar e me criava um cansaço mental.

Impressionante como os motores são barulhentos, indicando péssima qualidade e baixa eficiência dos mesmos.

Em um mundo com recurso natural finito, acredito que ainda iremos nos arrepender da baixa eficiência de nossos processos.

Planejava descer a Serra da Graciosa (na verdade, queria fazer esse trecho de trem), passar por Morretes e chegar ao litoral paranaense na Ilha do Mel.

Entretanto, a previsão do tempo indicava chuva e neblina para essa região.

Como também estava cansado do Paraná, decidi partir de Curitiba para Joinville – SC, pois a previsão do tempo indicava um “veranico” no litoral norte catarinense.

Inevitável era lembrar da música do Jota Quest: “Pra onde tenha Sol/ É pra lá que eu vou…”.

Obrigado a todos que acompanham.