Balneário – Florianópolis

Em face do intenso e agressivo trânsito que enfrentei desde Curitiba, hesitei pedalar os 90 km entre Balneário e Florianópolis.

Cogitei pegar um ônibus, mas decidi aguardar o sábado, onde acreditava que o movimento seria menor e, então, seguir.

Estava em um dilema, pois queria muito fazer o trecho. Achava que seria legal, uma vez que tenho grande carinho pela Ilha.

Entretanto, ponderava que aquele era um risco que não devia correr. Importante era chegar vivo e com saúde.

Não foi a primeira vez que titubiei, mas aquele dia estava com medo. Não dormi bem, pensei muito, estava um pouco assustado. Acordei tarde. Avaliei novamente.

Sai do hotel onde me hospedei com destino a rodoviária, mas mudei novamente de idéia, entreguei pra Deus e fui.

Como diria o Souza Lopes, encontrei 2 anjos ciclistas e tratei de acompanhá -los o máximo que consegui.

Não me recordo o nome do primeiro (que encontrei na saída de Balneário), mas o segundo se chamava Sérgio Reis (igual o cantor) e me acompanhou até Biguaçu (praticamente Florianópolis).

Estar acompanhado mudou o foco da minha atenção: parei de me importar tanto com o trânsito, me concentrei na estrada e conversei com aqueles dois. Parecia um treino em Brasília.

É curioso como conhecer pessoas faz com que me sinta mais seguro. De certo modo, é como se passasse a ter uma referência no lugar onde estava, ou próximo.

Aquele foi um trecho muito prazeroso. Também foi veloz! Planejei chegar em Florianópolis 1 da tarde. Acabei chegando 11 horas.

Estava tão bem que, quando avistei a Ilha, parei para gravar um video. Nele é possível ouvir um caminhoneiro soando 2 buzinas de forma gentil.

Quando fui cruzar a ponte para acessar Florianópolis, percebi que meu alforge estava solto. Não consegui resolver o problema e tive que usar cordas para prendê-lo.

Assim que cheguei, parei na Hercílio Luz (Ponte metálica desativada – cartão postal da Florianópolis), onde queria tirar uma foto. O pneu furou!

Portanto, cheguei naquele lugar tão especial para mim com o alforge amarrado e o pneu furado. Podia ter sido até a pé. O importante era chegar.

Arrumei o pneu e fui para a Lagoa da Conceição, onde iria me hospedar. Aquele trecho me reservou uma surpresa: uma subida curta, mas bastante inclinada.

Pela primeira vez em toda minha vida ciclística, subi empurrando a bike (MTB não Vale, Daniel).

Eu não via o menor sentido em fazer uma força brutal para vencer uma subida.

Foi bem bacana! Ciclistas são orgulhos! Eu então… Ali não importava nada disso. Foi libertador.

Quando cheguei no hostel, achei graça ao saber o nome dos proprietários: Eduardo e Mônica! Pro meu espanto, eles eram de Brasília.

Deixei minhas coisas, fui almoçar e depois tomei um cappuccino com bolo de chocolate. Foi meu champagne!

Mais uma vez, Deus havia me carregado no colo. Todavia, o defeito no alforge, o pneu furado e a subida que empurrei a bike me pareceram sinais, que reforçaram meu desejo de não pedalar mais no Sul.

Falei com o Marcião, que me disse não acreditar nisso. Objetivo que é, afirmou que problema a gente resolve e segue. Mas que eu devia pensar, seguir minha intuição e ouvir meu corpo.

Obrigado a todos que acompanham.