Florianópolis – Goiânia

Desde que saí de Curitiba passei a avaliar com mais prudência (e menos paixão) os riscos dessa viagem, especialmente naquele trecho movimentado e perigoso.

Meu plano inicial era ir até Florianópolis, subir a Serra do Rio do Rastro e, depois, voltar para Brasília pedalando. Entretanto, tudo que senti, especialmente entre Balneário e Florianópolis, me fez repensar meu roteiro.

Avaliei que não fazia sentido subir a Serra, muito menos voltar para Brasília pedalando desde Florianópolis. Ou seja, não era um risco que estava disposto a assumir.

Outros fatores influenciaram essa escolha. Estava cansado da troca de hospedagens, sentia saudades, tive um problema mecânico com a bike. Mas descobrir que seria tio mudou um pouco a forma como penso também.

Talvez, a grande verdade é que era a hora de parar, encerrar esse ciclo. Ainda existe um mundo incrível para ser descoberto, mas podemos fazer isso de muitas maneiras, inclusive de bicicleta, em diferentes momentos.

Decisão tomada, comecei a avaliar a melhor forma de voltar. Inicialmente, pensei em pegar um transporte até São Paulo, talvez Uberaba e, então, seguir pedalando.

Após ponderar e conversar com minha família, decidi pegar um voo até Goiânia, pedalar até Pirenópolis, onde os encontraria e, então, seguir para Brasília, pois queria chegar pedalando.

Empacotei a bike, arrumei as malas e deixei Florianópolis em uma chuvosa segunda feira, após ser presenteado com tantos dias azuis e ensolarados.

Todas as coisas que vivi por seis meses cabiam em dois alforges, uma mochila e uma caixa (a bicicleta). Isso incluía tripé, drone, máquina fotográfica, ferramentas, material de reparo da bicicleta, cafeteira, roupas e sapatilha de ciclismo, roupas de “passeio”, material de higiene pessoal, toalha e algumas minúcias.

Após uma escala em São Paulo (que me trouxe boas lembranças da cidade) desembarquei na capital goiana no começo da noite. Não havia “pódio de chegada ou beijo de namorada”, como diria Cazuza.

Fiquei feliz de chegar tão perto de casa, mas foi um pouco triste passar sozinho pelo saguão do desembarque. Sorte que depois de uma noite sempre vem o dia.

“E assim chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem”

Obrigado a todos que acompanham.