Aconchego

Após dois dias em família, saímos de Pirenópolis no final do domingo com destino a Brasília (de carro), como já havia feito tantas vezes. Não sabia explicar se tudo era igual, se tudo era diferente.

Antes, ficava me questionando o que pensaria quando estivesse chegando em Brasília. Imaginei que, como dizem, passaria um filme na minha cabeça. Para minha surpresa, pensava muito pouco. Apenas me sentia seguro, tranquilo e aproveitava aquilo.

Estava um céu limpo e claro. Olhava para as estrelas e me lembrava das várias vezes que as via, saindo para pedalar, especialmente no Sertão. Agora, escrevendo, fico emocionado.

Adorava sair com o dia ainda escuro. Muitas vezes, parecia que poderia tocar as estrelas. Lembro quando saí da cidade de Igarité (BA) (03:30 da manhã), nas margens do São Francisco. Era um Mar de estrelas que, em algumas curvas, refletiam no Rio.

Aquele Céu estava tão claro (e não era Lua cheia) que avistava bois e cavalos pastando a muitos metros de distância. Era possível delinear a silhueta dos morros. Cheguei a apagar o farol dianteiro. Mas não era seguro, pois poderia ter algum buraco na pista.

Muitas vezes, tentei tirar foto do céu com o celular, mas não saía quase nada. Agora, sentindo segurança e com a máquina fotográfica, foi diferente. Paramos na estrada, armei o tripé e tiramos algumas fotos. Fiquei muito feliz de ter esse registro.

Chegamos bem em Brasília e, dessa vez, não estava sozinho. Não era preciso procurar onde dormir, me preocupar com segurança, em organizar as coisas para o outro dia. Mas também não tinha estrada. A pizza daquele dia teve um sabor especial. Estava em casa.

“Estou de volta pro meu aconchego

Trazendo na mala bastante saudade…”

Obrigado a todos que acompanham.

Fotos de Igarité