E eu com esses números?

Um ciclista, uma bicicleta, uma barraca, uma bolsa de guidom, dois alforges, 1 par de sapatilhas 1 par de chinelos. Em uníssono por 23 semanas, 166 dias, 17 Estados, 9600 km pedalados.

Esses números sintetizam um período que me permitiu uma vasta gama de experiências, sentimentos, pensamentos, emoções e aprendizados. Alegrias, muitas alegrias. Não me vem a mente momentos de tristeza, ainda que tenham acontecido.

Olho para eles e me pergunto: “E eu com esses números?”, como diz a música do Engenheiros. Podem, ao mesmo tempo, denotar uma viagem longa ou curta, a depender do referencial.

Eles representam uma história, uma conquista, que não são, exclusivamente, minhas. Poderiam ser apenas números soltos, aleatórios, não fosse o significado que imprimimos a eles.

Hoje, acredito que não importa o quão longa é a jornada, mas sim nossa disposição de estar nela. Todo dia podemos nos reinventar, aprender, mudar.

Não importa se estamos pedalando sozinhos em uma estrada deserta ou no metrô indo ao trabalho. Os números não importam, mas sim nossa vivência, nosso aprendizado, nossa alegria de viver os momentos que formam os números.

“Quem elegeu a busca não pode recusar a travessia” – Guimarães Rosa

Obrigado a todos que acompanham.