Piri

Pirenópolis é uma charmosa cidade do interior goiano que se destaca pela arquitetura, pelas belezas naturais, pelas celebrações religiosas e, mais recentemente, pela movimentada vida gastronômica e cultural.

A cidade recebe estrangeiros e turistas do país inteiro mas, em razão de sua localização, é principalmente visitada por brasilienses e goianos. Minha primeira viagem de bicicleta foi para Piri e resolvi passar na cidade antes de voltar para Brasília.

Quando cheguei, estava em casa. Não avistei perigos ou ameaças, descansei a cabeça e me senti uma pessoa normal. Acho que tanta gente vai pra lá de bike que as pessoas já acostumaram e não me viam como forasteiro, nem olhavam com os olhos arregalados.

Fiquei dois dias sozinho, onde pensei muito sobre os destinos que essa viagem tomou. Percebi que, daquele momento em diante, não fazia mais sentido continuar pedalando até Brasília.

Fazemos as coisas que fazem sentido para nós, a partir de uma ponderação entre o ônus e o bônus de cada atitude. Também agimos, muitas vezes, por impulso. Aquele dia, tanto racionalmente quanto impulsivamente, era preciso parar.

Minha mãe, irmão, cunhada, padrasto e, principalmente, agora, meu sobrinho (a) que vai nascer, chegariam em breve. Passaríamos dois dias juntos e decidi que voltaria com eles para casa.

Se eu tivesse que fazer um resumo de tudo que aconteceu nesse tempo de viagem, diria que “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo; 4 -7).

Não havia euforia, não queria gritar “chegueeei!!”. Me sentia em paz. Meu sentimento era de agradecimento. Aquela não era uma conquista só minha.

“Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa… O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.

Obrigado a todos que acompanham