Eu sou mais um cara…

Avião, 25/11/2019. Indo pra Fortaleza

Diferenciado é a palavra do momento. Empresas de turismo vendem pacotes diferenciados para clientes especiais. Enchemos o peito de orgulho quando recebemos um cartão platinum, com benefícios exclusivos, pois somo clientes diferenciados.

Outro dia vi uma placa de fachada de uma igreja que se chamava “XXX (para não expor o nome) Church” e fiquei me questionando a contradição que é denominar algo em inglês em um país onde grande parte da população não entende o idioma. Me lembrei também que muitas igrejas utilizam o adjetivo “internacional”. Em outras palavras, igrejas diferenciadas!!

Talvez seja uma necessidade humana distinguir-se dos demais, ser exclusivo. Mas, provavelmente, “no nosso peito bata um alvo muito frágil…” como diz a música do Engenheiros do Hawai e somos facilmente levados por essa propaganda capitalista.

O que acho mais  incongruente de tudo isso é que queremos ser diferenciados, mas tenho a impressão que sempre que há uma pessoa realmente “diferenciada” em determinado meio, a mesma só tem problemas por conta disso.

O aluno mais inteligente da turma é visto como chato, que humilha os outros. Sempre tem que tirar 10. Quando alguém tira nota maior que ele, a sala inteira fica sabendo e o pobre fica lá se castigando porque tirou 8,5.

Em um grupo de trabalho, se alguém se destaca, logo é vítima da famosa panelinha. Afinal, se alguém tá ganhando elogio do chefe, está expondo a leniência ou incompetência dos demais. Além disso, o pobre se destacou e agora todo trabalho do mundo vai pra ele. A situação é tão crítica que há um aforismo bem brasileiro: “prego que se destaca é martelado”.

Sempre quis ser diferente, diferenciado, fazer as coisas do meu jeito. Busquei me destacar nos estudos, no trabalho e hoje vejo o quão idiota, vazio e vaidoso é tudo isso. Como diz a Bíblia, “vaidade de vaidades. Tudo é vaidade”.

De tudo que eu já fiz na vida, as três coisas mais prazerosas foram aquelas em que eu não tinha a menor pretensão de me destacar: skate, triathlon e surf. São as que me alegrava com as conquistas de meus colegas e jamais tentava competir com eles. Fazia as coisas por mim, porque me faziam bem.

Hoje estou disposto a ser “mais um cara, cansado de correr na direção contraria. Acho que é uma dádiva ser comum, porque se pode errar, se poder acertar também. O comum é valioso e bonito.

Deixa aqui transcrito um trecho de Eclesiastes 1

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?
Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.

Eclesiastes 1:2-7

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